segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Par de jarras

Vinha eu outro dia, Alberto Braune abaixo, comendo as minhas goiabinhas, como diria o Stanislaw, quando deparei com um casal de mãos dadas, descendo à minha frente, um tanto o quanto diferente.
Explico porque: desciam à minha frente, na mesma direção, portanto, eu os olhava por trás. Diferente, porque pareciam do mesmo sexo, masculino. Não é que eu seja preconceituoso, mas o que chamou mais a minha atenção era o corte de cabelo. Aparentavam ter mais ou menos sessenta anos, ainda analisando de costas. Cabelos grisalhos, assim como os meus, e o mais interessante - tanto a cor dos cabelos quanto o corte eram idênticos. Certamente iam ao mesmo barbeiro a solicitavam o mesmo corte, assim como eu fazia com as crianças lá de casa quando eram pequenas. Coitada, a Luciana é que ficava no prejuízo. Mas era pra ganhar tempo, facilitar a vida do Degalino (o barbeiro) e ficar mais barato.
Continuei andando; estávamos mais ou menos com o mesmo passo, eu e o estranho casal, e de vez em quando eu dava uma discreta olhadinha. Vestiam calça comprida, umas camisas parecidas, um jeito semelhante de andar. Mas o que mais me impressionava era realmente o cabelo. Igualzinho !!!
Segui a minha trajetória em direção ao Banco do Brasil, onde iria pagar umas contas, me distraí e esqueci do intrigante casal. Mas o cabelo (lá deles) não me saía da cabeça. Igualzinho mesmo.
Paguei as minhas contas, e na volta, parei no “grão café” para saborear aquele delicioso café expresso e, qual não foi a minha surpresa, ao chegar e sentar à uma mesa, justamente na mesa em frente, o estranho casal, agora de frente. Só aí é que eu vi que não era um casal masculino, e sim um homem e uma mulher, e por sinal muito bonita e muito bem maquiada. Fiquei surpreso, porque raramente hoje em dia se vê uma senhora que não pinte os cabelos, quando estes começam a ficar brancos.
Enquanto sorvia o meu café, matutava com os meus botões. Quando chegar em casa, vou falar com Gordinha se ela não quer parar de pintar os cabelos e cortar igual ao meu. Ia ficar um casalzinho legal, igual àquele que me chamou tanto a atenção - e olha que eu sou meio distraído, não sou muito de reparar as coisas e as pessoas, não.
Cheguei em casa e fiz a proposta indecente. E ainda por cima levantei uma porção de argumentos pra justificar o meu pedido. Vocês não queiram imaginar a reação da patroa. A mulher ficou brava e saiu cuspindo marimbondo. Nunca mais toquei no assunto.
Mas que ia ficar um casalzinho maneiro, lá isso ia. . .


Friburgo, abril de 2009.

Um comentário:

  1. Muito bom! Eu imagino o que D. Taísa deve ter pensado quando ouviu a proposta "indecente". Cabelo, pra ela, é coisa muito importante.

    Legal a idéia de publicar os textos aqui no blog. Tente escrever um por semana!

    ResponderExcluir