terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Futebol Arte

O futebol prá mim evoluiu às avessas, ou seja, andou prá trás. Feito caranguejo. Está mais violento, mais corrido, mais feio de se ver. O que acontece dentro da área hoje, numa cobrança de escanteio, é a coisa mais deprimente que eu já vi. É zagueiro dando gravata em atacante, é atacante correndo dum lado pro outro prá fugir do zagueiro, é juiz distribuindo cartões amarelos ameaçando os jogadores pelas suas condutas indecorosas. Olha, é uma coisa horrível. Pode ser tudo, menos futebol. Os zagueiros da minha época, como o chileno Elias Figueroa, o paraguaio Reyes, Luisinho, Oscar, marcavam e desarmavam o atacante sem encostar neles. Era sensacional !

Na década de sessenta, século passado, quando comecei a jogar e me interessar pelo futebol, ele era jogado mais cadenciado. Era muito mais bonito.Tinha mais poesia, mais arte, mais jogadas maravilhosas. Tinha ponta, tabelinhas, lançamentos. Apesar de o campo ser do mesmo tamanho, o jogador tinha mais espaço e mais tempo para raciocinar, para criar as jogadas.

Antigamente o objetivo era fazer gols. Hoje é não sofrer gols. Quando o futebol foi inventado pelos ingleses, jogava-se com dois zagueiros, três jogadores no meio-campo e cinco atacantes. Não peguei essa época. Mas me lembro bem do quatro-dois-quatro. Vocês podem até não acreditar, mas os times eram formados assim: goleiro, lateral-direito, beque central, quarto zagueiro e lateral esquerdo; meia de ligação e meia direita; ponta direita, centro-avante, meia esquerda e ponta esquerda. Tinha ponta-direita e ponta-esquerda e jogavam na ponta mesmo. Era espetacular !


A partir da copa de setenta, o Zagalo pegou o Rivelino que deveria ser ponta-esquerda, e recuou para o meio campo. Começou o esquema 4-3-3, depois veio o 4-4-2 e daí prá frente, estragou tudo.

Quem não viu o Pelé jogar, por erxemplo, não sabe o que é futebol arte. Não adianta nem tentar explicar. Só prá vocês imaginarem; no auge da sua maturidade, na copa de setenta, já aos trinta anos, as três jogadas mais sensacionais que ele fez, não resultaram em gols: foi um chute do meio campo contra a Tchecoeslováquia, uma cabeçada contra a Inglaterra(considerada uma das maiores defesas da história do futebol do goleiro Gordon Banks) e um corta-luz no goleiro Mazurkiewski do Uruguai.


Gostaria de ter visto jogar, outras lendas do futebol: Domingos da Guia, Heleno de Freitas, Zizinho, Didi, Nilton Santos, o argentino Alfredo Di Stéfano e o húngaro Ferenc Puskas .


Mas vi: Garrincha, Gérson, Zico, Falcão, Tostão, Rivelino, Platini, Beckenbauer e Maradona. Me arrisco até Romário e Zinedine Zidane. Daí prá frente, os que são considerados craques hoje, como: Ronaldo fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo, já são vítimas desse futebol moderno.

Zagueiro e goleiro hoje, têm que ser gigantes. Um cara de estatura mediana não consegue mais jogar futebol. É brincadeira !!! é condicionamento físico, é massa muscular, os caras viraram robôs. O Cláudio Coutinho, preparador físico da seleção de setenta e depois técnico do flamengo daquele timaço que foi campeão do mundo, dizia que, com os jogadores cada vez mais preparados fisicamente, no futuro ou se teria que aumentar as dimensões do campo, ou diminuir a quantidade de jogadores.
E o pior, é que ele estava certo !!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Casamento do Rique

Eu sempre fui apaixonado por futebol. Desde criança adorava as famosas "peladas". No quintal de casa, na rua, nos campinhos de várzea, nos clubes.

O tempo vai passando, viramos adulto (que pena !!!) ; compromissos, responsabilidades, trabalho, casamento, filhos, a dedicação ao futebol vai diminuindo, mas a paixão, não !

Às quartas-feiras à noite e aos sábados à tarde, as "peladinhas eram sagradas" na AABB. Os filhos vão crescendo, começam a nos acompanhar. Consequentemente vamos ficando velhos; não dá mais para competir com a rapaziada, começamos a nos dedicar à garotada.
Formamos uma escolinha de futebol. Nessa época que o meu relacionamento com o Rique foi se estreitando. Trabalhava com o pai dele no Banco do Brasil, e aos domingos de manhã nos reuníamos para jogarmos o nosso futebol. Eu ,Rique, Pascoal, os meus filhos e outros garotos que recrutávamos para completarmos os dois times da nossa escolinha.

O tempo passou. As crianças cresceram, foi um para cada lado, eu me aposentei e hoje o Rique aparece aqui em casa com a sua noiva, me convidando muito carinhosamente para que eu realizasse o seu casamento.

O Rique é simpatizante do espiritismo. Foi algumas vezes às explanações doutrinárias na casa espírita em que participamos.

Aí eu disse prá ele: - veja bem, Rique. O espiritismo é uma doutrina filosófica, científica e religiosa. É uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal", como definiu o próprio de Kardec.

Todavia não é uma religião formalizada, visto que não cultos, nem ritos, nem hierarquia e nem cerimônias. Teve o seu início em Paris, na França, em 1857 e foi codificada por Allan Kardec. Ele não criou nem fundou o espiritismo e deixou bem claro que os ensinamentos são dos espíritos. Por isso que não existe espiritismo de umbanda, espiritismo de mesa, baixo espiritismo e espiritismo kardecista. Existe espiritismo, e só. Inclusive as palavras espírita e espiritismo foram criadas por Kardec. O que foge à codificação não é espiritismo.

Mas voltando ao casório, informei ao Rique que não existe cerimônia de casamento no espiritismo, senão daqui a pouco as pessoas vão espalhar por aí que o Gilberto está realizando casamentos espíritas, e prá eu explicar isso depois, como é que vai ser?

Contudo, nada impede que nos reunamos e oremos pela felicidade do Luiz Henrique e da Natália. E assim o fizemos. Que o nosso Pai Maior os ilumine e os proteja nessa nova etapa de suas caminhadas.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coisas sérias pro futuro

Desde pequeno sempre gostei de tentar escrever alguma para que algum dia, além de mim, alguém lêsse. Jornal do colégio, jornal do trabalho, jornal da casa espírita. Qualquer coisa que acontecia era motivo para escrever. Eram folhas soltas que iam ficando pela vida. Nunca cheguei a escrever um livro, mas escrevi várias apostilas.

Se você é uma pessoa de bem, ao ter filhos, consequentemente quererá que eles sejam pessoas melhores que você.

Ao educar meus filhos, procurei dar a eles o melhor que pude na parte intelectual, nos valores morais e espirituais e naturalmente eles sempre copiam alguns dos nossos gostos. A minha filha caçula por exemplo, a Luciana, é flamengo de coração, ama Chico Buarque e graças a Deus, escreve muito melhor do que eu. Confiram: http://www.sobrescrita.blogspot.com/ .

É extremamente gratificante para nós, pais, ao vermos nossos filhos adultos e independentes, apesar de sentirmos uma imensa saudade de quando eles eram pequenos e permaneciam sob o nosso controle, saber que tivemos uma pequena participação na formação deles, contribuindo no desenvolvimento de suas potencialidades e no meu caso em especial, reconhecer que eles se encontram algumas léguas à minha frente no nosso caminho evolutivo.

Mas voltando às minhas escreveduras, elas tenderam sempre para causos, histórias, besteiras, coisas alegres e engraçadas, que quase sempre aconteciam e que eu buscava colocá-las no papel.

De tristeza e coisa ruim, já bastam os noticiários. Mas, claro, existem assuntos sérios e relevantes que merecem ser tratados com responsabilidade, e que devemos escrever sobre eles.

Portanto, prometo a vocês, pro futuro, escrever também sobre coisas sérias.

Até mais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Perder um amigo

Hoje, vinte e dois de novembro de dois mil e nove, teoricamente, deveria ser um dia triste para mim. Morreu um grande amigo meu.

Costumamos colocar dessa forma, quando morre alguém, especialmente familiares ou amigos: "perdemos".

Eu também pensava assim até conhecer a doutrina espírita. Hoje vejo de outra maneira. Aprendi que a nossa essência é imortal, somos eternos. A morte física é apenas uma passagem para outro plano da vida. Aprendi também, que estamos sempre caminhanho para o nosso aperfeiçoamento, para a nossa felicidade e chegaremos todos lá, sem excessão, mais cedo ou mais tarde, de acordo com o esforço e a determinação de cada um.

Por isso que não fiquei triste com a morte do Mário. Tenho certeza absoluta de que ele cumpriu a sua tarefa terrena e em breve nos encontraremos em outras etapas a caminho da nossa evolução.

Trabalhamos juntos no Banco do Brasil. Pessoa fantástica, o Mário. Temperamento difícil, gênio indomável mas sempre alegre, um senso de humor extraordinário, um grande coração, mestre nos trocadilhos e em colocar apelidos, exigente com as suas amizades; sinto-me honrado de fazer parte do seu seleto grupo de amigos .

Caráter irretocável, viveu para o seu trabalho e para sua familia, certamente deixou um grande exemplo de vida para todos nós .

Agora, as histórias que aconteceram com o Mário foram únicas em todo esse universo. Aconteceram somente com ele. Histórias realmente fantásticas, quase inacreditáveis, algumas das quais tive a satisfação de testemunhar. Em breve contaremos algumas delas em nosso blog e vocês vão se deliciar.

Aqui vai uma bem curtinha só pra que vocês tenham uma idéia: uma vez ele foi desapartar uma briga. O Mário era alto, forte, um corpo avantajado de atleta. Foi um grande jogador de basquete na sua juventude. Ele abraçou o brigão pelas costas, enlaçando os braços pela sua barriga e trançando os dedos. O cara era meio gordo e conforme o Mário apertava e tentava retirá-lo da confusão, o camarada foi ficando sem ar, com dificuldade para respirar e falou pro Mário: - meu amigo, por favor me solta. Você está apertando muito a minha barriga e eu não estou conseguindo respirar . Ao que o Mário respondeu: -eu estou tentando, mas os meus dedos prenderam aqui cruzados e eu não consigo soltá-lo. O cara foi ficando nervoso e sem ar , o Mário também, porque queria soltá-lo e não conseguia, até que finalmente a turma-do-deixa-disso, conseguiu entender e ajudou a desfazer o mal entendido. Conclusão: acabou a briga, o cara quase morreu porque não conseguia respirar e o Mário todo sem jeito pela confusão que ele arrumou na tentativa de ajudar.

Querido amigo e irmão: obrigado pelos momentos alegres em que estivemos juntos. Que Deus ilumine sempre a sua trajetória à caminho da perfeição. Em breve nos reencontraremos.